BVLOS e drone-in-a-box

Preparação de operações BVLOS e drone-in-a-box para operadores de drones em Portugal

A realização de operações BVLOS (Beyond Visual Line Of Sight) e drone-in-a-box exige cuidadoso planeamento e o cumprimento rigoroso da regulamentação europeia de UAS, bem como da implementação nacional pela ANAC. Este guia detalha os passos essenciais para operadores de drones em Portugal, incluindo a elaboração de um manual operacional, avaliação de riscos segundo o método SORA, e a implementação das infraestruturas técnicas e organizacionais necessárias para operações seguras e conformes.

1. Compreender a regulamentação e os requisitos para licenciamento

Em Portugal, as operações BVLOS e drone-in-a-box enquadram-se na categoria Específica do Regulamento europeu de UAS (Regulamento (UE) 2019/947), cuja aplicação é assegurada pela Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC). Para realizar operações BVLOS, é necessária uma autorização de exploração, que pode ser genérica ou específica, conforme o tipo de espaço aéreo e os riscos associados.

As autorizações genéricas destinam-se a operações BVLOS em espaço aéreo controlado sobre território controlado, cuja avaliação de risco e mitigação esteja alinhada com os Critérios Padronizados (Standard Scenarios - STS) ou outras medidas autorizadas. Operações com configurações divergentes ou riscos acrescidos exigirão uma autorização específica, baseada numa avaliação de risco detalhada e aprovada pela ANAC. Para sistemas drone-in-a-box, deve ser verificada a conformidade técnica e operacional segundo as especificidades nacionais e europeias para garantir a viabilidade da operação.

  • BVLOS integra a categoria Específica, regulada pela ANAC.
  • Autorizações genéricas aplicam-se a operações padronizadas em espaço aéreo controlado.
  • Outras operações requerem autorização específica após avaliação de risco complementar.

2. Realizar uma avaliação de riscos detalhada via SORA

O SORA (Specific Operations Risk Assessment) é o método padronizado recomendado pela EASA para avaliar os riscos operacionais e asseguramento da segurança em operações BVLOS e drone-in-a-box. Esta avaliação considera os perigos relacionados com a operação em si, bem como os riscos para terceiros e para o entorno.

O SORA facilita a preparação do pedido de autorização de exploração, identificando ameaças, estabelecendo mitigadores e definindo o Nível de Integridade de Garantia de Segurança (SAIL). O resultado desta avaliação é um elemento essencial do dossier operativo que deve ser cuidadosamente documentado e alinhado com as exigências da ANAC.

  • SORA quantifica riscos operacionais e para terceiros.
  • Inclui identificação de mitigadores e definição do SAIL.
  • Requisito chave para o pedido de autorização na categoria Específica.

3. Elaborar um manual operacional robusto

O manual operacional é o documento central que descreve todos os procedimentos, funções, responsabilidades e protocolos para executar de forma segura a operação BVLOS ou drone-in-a-box. A sua elaboração é obrigatória para operações na categoria Específica.

No manual devem constar, entre outros, os processos de planeamento, ativação, controlo e encerramento do voo, a definição clara das funções de piloto remoto, supervisores e suporte técnico, protocolos para a deteção de terceiros e comunicação com contactos locais, além de procedimentos para gestão de emergências e degradação, incluindo estados seguros e recuperação.

  • Documentar procedimentos operacionais detalhados e supervisão remota.
  • Definir responsabilidades claras e protocolos de comunicação.
  • Incluir planos para emergências e falhas técnicas.

4. Identificar dependências de sistemas e arquitetura técnica

As operações BVLOS e drone-in-a-box dependem de infraestruturas técnicas complexas e integradas. É fundamental identificar e documentar os componentes essenciais como sistemas de comando e controlo (C2), docking stations, fornecimento de energia, conectividade de rede e sistemas de navegação.

Para cada componente devem estar definidos os mecanismos de deteção de falhas, modos fallback e modos de operação segura para mitigar eventuais falhas do sistema. Isto inclui redundância em conexões de dados, funcionalidades de Identificação Remota (Remote ID) e procedimentos automáticos de aterragem segura.

  • Documentar sistemas C2, energia, conectividade e navegação.
  • Definir mecanismos de segurança e fallback para cada sistema.
  • Garantir integração com Identificação Remota e sistemas de deteção.

5. Definir funções remotas e responsabilidades operacionais

A atribuição clara de funções e responsabilidades é essencial para garantir a segurança e eficiência em operações BVLOS e drone-in-a-box. Deve ser especificado quem está autorizado a ativar, monitorizar e encerrar as operações, bem como a assumir o controlo em situações de emergência.

Devem ainda ser considerados fatores como a gestão da carga de trabalho, operações simultâneas, procedimentos de handover, e acessibilidade às pessoas chave. A comunicação interna da equipa e com contactos no terreno e controlo de tráfego aéreo deverá também estar formalmente estabelecida.

  • Estabelecer responsáveis por ativação, monitorização, controlo e encerramento.
  • Gerir carga de trabalho e comunicação em operações paralelas.
  • Documentar procedimentos para escalonamento e contacto.

6. Testar e praticar cenários de degradação e emergência

É imprescindível realizar exercícios regulares para preparar a equipa para cenários de degradação, como perda da ligação de comando e controlo (C2), falhas nas estações base, dados meteorológicos incorretos, intrusão de terceiros na zona de operação, falhas de energia e aterragem forçada.

Estas práticas permitem validar o manual operacional, formar o pessoal e implementar melhorias nos processos de manutenção e segurança. Toda a documentação dos testes e das ações corretivas deve ser incorporada no sistema de gestão de qualidade.

  • Praticar perda de ligação C2 e aterragem de emergência.
  • Testar respostas a falhas de infraestrutura e energia.
  • Usar resultados para formação contínua e melhorias.

Perguntas frequentes

Um sistema drone-in-a-box é automaticamente adequado para operações BVLOS?

Não. Um sistema drone-in-a-box não é automaticamente aprovado para operações BVLOS. Deve cumprir requisitos técnicos e operacionais específicos, e o método da operação determinará se a autorização apropriada pode ser obtida junto da ANAC.

Posso realizar operações BVLOS sem autorização em Portugal?

Não. As operações BVLOS enquadram-se na categoria Específica e requerem sempre uma autorização de exploração emitida pela ANAC, independentemente do espaço aéreo ou sistema utilizado.

Qual a diferença entre uma autorização genérica e uma específica para BVLOS?

A autorização genérica permite operações padronizadas e frequentes em espaço aéreo controlado sobre território controlado, com riscos mitigados conforme os STS ou PDRAs autorizados. A autorização específica é requerida para operações não abrangidas pela genérica, que envolvem riscos adicionais ou configurações especiais.

Qual o papel da SORA no pedido de autorização para BVLOS?

A SORA é uma metodologia detalhada de avaliação de riscos recomendada pela EASA, que ajuda a determinar a segurança da operação BVLOS específica. É uma etapa crucial e obrigatória na preparação do pedido de autorização, servindo para definir medidas de mitigação e níveis de segurança.